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LEIA A CRÍTICA DE AMIGAS COM DINHEIRO
Regina Azevedo
16 de Dezembro de 2006, 14:36


Amigas com dinheiro (Friends with Money) tem uma boa proposta: fala daquele momento na vida em que as situações vão se definindo, profissional e sentimentalmente, e como quatro amigas lidam com esses momentos. As quatro mulheres são representadas por um cast de peso: Frannie (Joan Cusak), Christine (Catherine Keener), Jane (Frances McDormand) e Olivia (Jennifer Aniston). Das quatro, três são ricas e extremamente bem-sucedidas, mas Olívia destoa completamente do grupo: solteira, largou o emprego de professora porque não estava realizada e agora ganha uns trocados fazendo faxinas. As amigas não entendem o modo de vida dela, e tentam a todo custo ajudá-la a ter mais estabilidade. Apresentam um amigo, o personal trainer de uma delas, Mike, interpretado por Scott Can, na esperança de que ela se “acerte” sentimentalmente, e insistem para que faça terapia, para “se encontrar” e definir melhor seus objetivos. A solidão de Olivia chega a doer, retratada na cena em que se encontra pela primeira vez com Mike e ele a deixa sozinha para conversar com uma amiga de colégio. A atuação de Aniston é excelente, carregada de melancolia e, ao mesmo tempo, tão adorável que gera uma instantânea empatia com o espectador.

O filme vai se desenvolvendo e vamos percebendo que as amigas também têm seus problemas e que a “estabilidade” que vivem é apenas aparente. Frannie, viviva pela excelente atriz Joan Cusak, é a que tem o casamento mais estável, porém, é constantemente questionada pelo marido porque não consegue enxergar nada muito além do seu mundinho. Jane, na atuação que valeu a atriz Francês MacDormand uma indicação ao Independent Spirit Awards, é a amiga mau-humorada e reclamona. Está entrando na menopausa e enfrenta uma crise de auto-estima. As amigas especulam que seu marido pode ser gay, vivido por Jason Issacs, que rouba a cena completamente, protagonizando cenas divertidíssimas. Christine é uma escritora, que trabalha em parceria com o marido, mas vê seu casamento desmoronar quando descobre que sua comunicação com o marido se restringe ao campo literário. Todas elas condenam o modo de vida de Olívia, e comentam entre si e com os maridos que sentem pena da amiga, em um misto de crueldade, mas de uma forma tão real que é difícil o espectador não se identificar com a situação. Quem nunca julgou o modo de viver de um amigo ou pessoa que gosta, achando que na crítica residia uma prova de amizade?

Esse é o grande mérito do filme, trabalhar as situações de forma realista. Os diálogos oscilam entre o humor e tensão, retratando dramas comuns do cotidiano de qualquer pessoa. O problema é que, quando os problemas são propostos, parece que falta um aprofundamento das questões. Nicole Holofcenter (roteirista de muitos episódios da Série Sex and the City) engata excelentes discussões, mas que se diluem por si, perdendo a oportunidade de um excelente filme. Talvez a pretensão da diretora e roteirista tenha sido exatamente esta: deixar algumas lacunas para o espectador tirar suas próprias conclusões. Assim como na vida não existem respostas para tudo, o espectador sai do cinema sem entender algumas questões. Verossímil e verdadeiro, no mínimo. (Regina Azevedo)